Morph Cut e FaceDirector: tecnologias que revolucionam a edição de atores
março 22, 2016
Pedro Vilhena (189 articles)
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Morph Cut e FaceDirector: tecnologias que revolucionam a edição de atores

Quase todo mundo já conhece o morph cut, ferramenta incorporada há uns 2 anos na maioria dos softwares de edição. Ela basicamente analisa os pixels de duas cenas e gera uma transição artificial. Algumas versões como a do Premiere incluem um algoritmo de face tracking básico, que presta atenção específica a rostos.

Seu uso imediato é na edição de entrevistas, depoimentos ou “talking heads”, naquelas situações em que é necessário cortar uma fala mas não há segunda câmera ou insert a que recorrer. Antigamente isso se resolvia com jump cut ou flash branco; o morph traz resultados bem mais elegantes (quando funciona).

Mas não só: Hollywood tem usado ferramentas similares para criar planos sequência a partir de takes diferentes. Com um operador de câmera bom, que garanta uma regularidade mínima em steadicam ou gimbal, é possível juntar o começo de um take com o fim de outro. Isso é util e gera uma economia substancial de tempo e dinheiro, seja em casos em que atores acertam no começo do take e erram no final, seja pra começar um plano sequência numa locação e terminar em outra, viabilizando algo muito mais rico. Esse é o caso de Birdman, Spectre (abertura) e O Regresso. Também é possível usar a técnica como ferramenta criativa, caso do clipe do OK Go.

Isso agora, mas o futuro já chegou. A Disney Research (!) e a Universidade de Surrey apresentaram há algum tempo os resultados de um software chamado FaceDirector, que permite escolher expressões de um ator em diversos takes e montar num só. Ele faz isso analisando não apenas o vídeo, mas também o áudio. O algoritmo é tão avançado que é possível montar um gradual entre uma performance desesperada e outra contida. Parece louco, e é. Veja abaixo:

Já faz tempo que se usa 3D para reconstruir expressões de atores, apesar de não ser algo muito comentado. Abaixo um exemplo de A Cartada Final, em que Marlon Brando teve um sorriso inexistente aplicado em seu rosto por CGI:

Mas no caso do FaceDirector, apesar de envolver síntese de pixels não se trata de 3D e sim de um algoritmo de transição. Essa é a revolução. Não é apenas uma ferramenta pra “corrigir na pós” e sim usar todo o material bom captado. Será possível juntar os melhores trechos de performance do ator em cada take numa cena delicada; ou usar o movimento de câmera de um take com o ator de outro. Ou até sintetizar uma atuação a partir de duas expressões completamente diferentes! Tudo isso sem nenhum hardware específico. Em tese o FaceDirector pode funcionar com a sua webcam.

Achou perturbador? Ainda é mais tranquilo que o Face2Face, que permite a um ator dublar outro em um vídeo já gravado…

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