Canons: trabalhando flat com o perfil Technicolor
setembro 10, 2011
Pedro Vilhena (189 articles)
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Canons: trabalhando flat com o perfil Technicolor

Recentemente a Technicolor, em parceria com a Canon, lançou um picture profile “flat” para as DSLR da marca. Em tese isso traz um ganho de latitude para a câmera, e a aproxima um pouco mais de modelos de cinema digital.

O que é

A diferença está na distribuição da latitude do sensor. Em equipamentos amadores e semi-pro isso acontece numa curva linear. Mas há algum tempo descobriram que capturar numa curva logarítmica (veja abaixo) otimiza o rendimento dos sensores para sombras e alta luz. O lado ruim é que a imagem parece desaturada e sem contraste, e precisa ser restaurada em pós; profissionalmente, no entanto, o que importa é garantir o máximo de informação na captação para trabalhar depois, e é isso o que acontece – o nome “flat” vem justamente da aparência de baixo contraste que a curva logarítmica dá ao material, quando monitorado sem tratamento.

Diferenças na curva gamma

 

O que a Technicolor fez foi justamente criar uma curva logarítmica para o sensor e software das Canons. Como já falei em outros textos, cada vez mais o que separa câmeras profissionais do resto é sua latitude. Nossas HDSLR capturam com muito mais compressão que câmeras de cinema digital – sombras e alta luz já serão jogados fora – portanto precisamos de toda ajuda possível. Um truque já manjado (propagado pelo Phil Bloom) é gravar com o contraste no mínimo possível e depois devolver na pós; empregar uma curva logarítmica é um passo além. Mas funciona? É prático?

Como é

Os procedimentos para instalar o perfil (gratuito) e outras informações você encontra no próprio site da Technicolor. Além do perfil, eles também disponibilizam um arquivo LUT para download. Nada complexo: é o antídoto para o look flat da imagem que sai da câmera. Basicamente, a curva contrária a que o Cinestyle aplica, de modo que você possa visualizar o material mais próximo do real.

Tanto no Final Cut quanto no Premiere, você pode aplicar o LUT através do plugin LUT Buddy. Mas cuidado: a intenção por trás do LUT é ser um meio rápido de ter uma prévia do resultado (sigla para Look Up Table), e não fazer parte do workflow final. Os melhores resultados gravando flat você só atinge tratando cada cena em separado, com um corretor de 3 vias – essa é uma das armadilhas em que caem alguns que testam o perfil da Cinestyle e acham que não traz grande diferença.

A web já está cheia de comparativos de imagem. O problema é que colocar lado a lado uma imagem “flat” e outra convencional não resolve, afinal o ganho real se dará só depois do tratamento da primeira. E como tratamentos são livres, fica difícil determinar o que é melhor por uma comparação assim. Na medida do possível, este blog dinamarquês faz um ótimo trabalho de comparar todos os efeitos. Mas o melhor mesmo é testar e construir sua opinião pessoal. Posso dividir a minha: sim, o perfil da Technicolor aumenta a latitude da câmera, em mais ou menos 1 ponto comparado ao perfil Neutro de fábrica. Mas é preciso usar corretamente.

Dicas

Ao gravar com o Technicolor Cinestyle, você é confrontado com uma imagem cinzenta e sem contraste. Fica (ainda) mais difícil decidir qual a melhor exposição da câmera. Ao usar o perfil, exponha sempre para a alta luz – ou seja, siga com a abertura máxima em que nenhuma área da cena está sendo “queimada”. Funciona muito bem porque a maior parte do que se ganha com o Cinestyle nas DSLRs é informação nas sombras (veja imagem abaixo), ou seja, você pode se pautar pelo outro extremo.

Repare no detalhe salvo nas sombras.

 

Outra: além de atrapalhar na avaliação das cores, o visual flat atrapalha no foco, porque qualquer sharpness vem em grande parte de micro-contraste. A melhor solução é fazer foco usando outro perfil da câmera, e ao gravar, mudar para o Cinestyle. Se não for possível, seja especialmente cauteloso, “dance” o foco um pouco para ter certeza de onde está. Com esses cuidados, o Technicolor Cinestyle traz resultados e se torna uma opção ótima – até fundamental, para cenas noturnas ou de baixa luz.

Por fim, já que estamos falando das melhores maneiras de garantir a maior quantidade de informação para tratamento, considere durante a pós converter seus MOVs brutos para um formato como o Apple Pro Res 422 ou, ainda melhor, Cineform 422. Estes codecs interpolam o espaço de cor limitado da câmera. A imagem não muda mto, mas as possibilidades de tratamento sim, e você consegue levar seus ajustes mais longe.

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