As câmeras da NAB 2012!
maio 7, 2012
Pedro Vilhena (189 articles)
2 comments
Compartilhar

As câmeras da NAB 2012!

A NAB é a feira anual que reúne em Las Vegas quase todos os fabricantes de software e hardware relacionados a vídeo, que sempre guardam lançamentos para o evento. Nem parece que já faz 1 ano que escrevi sobre a última! Esta foi melhor, anunciando um novo ciclo de câmeras com algumas surpresas.

Corredor da NAB 2012

Canon

A Canon chegou mostrando suas C500, C300, 1DX-C e 5D Mark III. A C500 é uma câmera incrível, que entrega 4K com altíssima performance em baixa luz (em RAW 4:4:4 inclusive – requer um gravador externo) num formato reduzido. Mas a US$30 mil, é voltada ao “mercadão”, cinema inclusive. Já a C300 assume seu lugar de versão “handicapped” por metade do preço, tentando se equilibrar numa faixa arriscada (apenas Full HD por US$15 mil?), assim como a 1D-Cine (4k numa DSLR por US$15 mil?). Quanto à 5D Mark III, na faixa dos US$3.500, apenas resolve os defeitos de vídeo mais terríveis de sua antecessora, o que é pouco, mto pouco, considerando os 3 anos que levou para ser lançada. Nada de 4K, RAW, XLR, saída limpa, auto foco, 4:2:2, só mais uma câmera híbrida voltada aos fotógrafos.

Canon C500

Com essa linha a Canon esnoba o mercado de vídeo indie sub-US$5.000 que criou, e ignora a concorrência. Este posicionamento chocou a mim e muitos outros pela falta de arrojo comercial, num tempo em que biografias do Steve Jobs são vendidas no supermercado. Não cabe choradeira, mas por outro lado o jogo de mercado existe, e camarão que dorme a onda leva. Mais abaixo.

Sony

Sony FS-700

A Sony já tinha apresentado a ótima FS-100, que fica mais popular a cada dia. E balançou tudo trazendo a FS-700, que além dos recursos que tanto desejamos (sensor S35, filtros ND, XLR, SDI-HD), é capaz de fazer 240fps em Full HD (e até 960fps interpolando 1920×432), algo inédito na sua faixa de preço, de US$8 mil. Tem mais: a câmera grava internamente em Full HD, mas a Sony já anunciou que será possível um upgrade pago que permitirá saída de 4K a um gravador externo. Não há imagens suficientes para comparar, mas em termos de recursos, isso a coloca entre a Canon C300 e a C500, por uns 70% do preço da mais barata. É um ataque difícil à linha superior da Canon. Apenas pelo slow motion, todo mundo (e eu) já quer a FS700!

Blackmagic (!)

Blackmagic Cinema Camera

As câmeras acima ainda são investimentos consideráveis, e é por isso que, de longe, a maior surpresa da feira foi a Blackmagic Cinema Camera. Ninguém esperava uma DSLR killer vindo de uma empresa de pós-produção, mas foi o que aconteceu – o mantra do material de lançamento é “atender à comunidade de vídeo independente”. Trata-se de uma câmera de US$3 mil que faz 2,5k e grava em Pro Res ou RAW 4:4:4, num HD solid state incluso. Registra 13 pontos de latitude (!), tem entradas de áudio balanceadas e saída SDI, e aceita lentes Canon e Nikon. Apenas o sensor desaponta, pois não é full frame nem APS-C, mas 16mm (similar à Panasonic GH2). Veja vídeos feitos com a câmera aqui.

Este lançamento provocou um belo buzz nas últimas semanas, afinal são todos os recursos que desejamos numa DSLR há 3 anos – menos o mais famoso. Mas olhando de perto a câmera é uma opção real. O sensor menor significa que não será possível filmar em menos que o equivalente a 25mm numa 5D (ou 16mm numa 7D/t2i/t3i). Mas basta lembrar que a lente mais usada na 5D é a 24-70mm (e 17-50 nas crops) para perceber que isso não é tão limitante. O outro “downgrade” seria justamente na profundidade de campo rasa (desfoque de fundo), que diminui. É triste não ter todos os recursos numa caixa só; mas também válido colocar o vício do desfoque de lado e olhar para as outras qualidades que definem cinema – Cisne Negro foi filmado em 16mm e ninguém reclamou. Como já falei no blog, baixo contraste e nitidez (sharpness) são recursos que dão um verniz fenomenal às imagens, e que não estavam disponíveis em nenhuma câmera sub-US$5 mil até agora (veja abaixo). Sem contar o prazer sexual de colorir RAW (perdão).

À esq, frame de DSLR, e à dir., frame RAW da Blackmagic Cinema colorizado.

GoPro 2

Como se sabe, recentemente a GoPro adquiriu a Cineform, empresa de codecs e workflow de pós-produção, e aparentemente a sinergia entre ambas começa a dar resultado. A empresa mais querida dos esportistas e entusiastas das câmeras portáteis anunciou um grande upgrade de firmware para sua GoPro 2. Agora a câmera faz 24p, mais que dobra seu bitrate de gravação (de 15Mbits/s para 35Mbits/s), e tem a possibilidade de usar a curva S-log Cinestyle da Technicolor – a mesma já disponível para as DSLRs Canon. Com o aumento do bitrate foi possível diminuir o noise reduction interno à câmera, trazendo ainda mais detalhe. A promessa é que agora a GoPro poderá cortar suavemente para imagens de qualquer DSLR e até de câmeras como a Alexa, sem os problemas que antes trazia. Taí, até a GoPro está querendo seu pedaço do mercado indie.

Conclusão

O tempo passou. Há três anos estavam todos maravilhados com os 24p da 7D, e hoje cá estamos pedindo 4K, RAW, 240fps e sensor Full frame. O mercado se expandiu e ficou mais exigente, e a gana de empresas como Blackmagic e GoPro demonstra isso. O que a Canon não continuou as outras estão abraçando (até a Sony!), e agora eles tem um problema sério, que é presença zero numa faixa de mercado que inventaram. A essa altura os movimentos da concorrência evidenciam que só pode ter sido erro de análise. O mais provável é vermos lançamentos a toque de caixa de variações mais baratas da 1D-C e 5DIII, e talvez uma C100, para atender o nicho de 3 a 5 mil dólares…mas podem chegar tarde.

Está claro que as empresas estão apenas analisando o risco. A primeira que se lançar a produzir algo high-end (não precisa de mto) em alta escala a preços acessíveis vai dominar o mercado pelos próximos 3 anos, e a NAB refrescou essa memória. Basta a Black Magic lançar uma versão da sua câmera com um sensor APS-C a uns US$5 mil, e venderia como pão quente. Parece impossível? De jeito nenhum.

É um tempo interessante para se trabalhar com vídeo. Da nossa parte, podemos sentar, esperar as imagens e os reviews, e decidir a próxima câmera. E não se surpreenda se for uma Blackmagic.

Comentários

  1. Alle
    Alle maio 15, 22:59
    Ótimo post!
  2. Elias Henrique
    Elias Henrique maio 19, 01:40
    muito bom!

Escrever comentário

Seus dados estarão seguros. Seu endereço de email não será publicado. Os outros dados também não serão compartilhados com terceiros. Campos obrigatórios marcados com *